Como eu trabalho?
Antes de procurar respostas, procuro compreender.
Ao longo da minha trajetória, percebi que existe algo que acompanha tudo o que faço, independentemente de estar trabalhando com tecnologia, processos ou pessoas.
Antes de procurar respostas, procuro compreender.
Essa postura não surgiu de uma teoria específica, mas da experiência construída ao longo dos anos. Em diferentes contextos, aprendi que compreender a realidade costuma ser muito mais importante do que chegar rapidamente a uma solução.
Compreender exige disposição para enxergar a realidade antes de tentar transformá-la.
Começar pela realidade
Aprendi, na prática, um princípio da melhoria contínua conhecido como Genchi Genbutsu, frequentemente traduzido como "vá e veja por si mesmo".
Mais do que visitar um lugar ou observar um processo, esse princípio me ensinou a importância de conhecer a realidade antes de interpretá-la. Sempre que possível, procuro compreender como as coisas acontecem na prática antes de propor qualquer mudança.
Com o tempo, descobri que isso exige mais do que experiência técnica. Exige disponibilidade para observar, ouvir e aprender com aquilo que ainda não conhecemos.
O copo vazio
Costumo dizer que gosto de chegar às situações com o "copo vazio". Não porque eu não tenha experiência ou conhecimento, mas porque acredito que toda realidade merece ser escutada antes de ser interpretada.
Quando chegamos cheios de respostas, existe o risco de enxergarmos apenas aquilo que confirma o que já acreditamos. Ao chegar com o "copo vazio", abrimos espaço para compreender o contexto como ele realmente é, sem pressupostos.
A experiência ajuda a formular perguntas melhores. Não substitui a necessidade de compreender.
Quando trabalho com organizações
Foi assim que aprendi a trabalhar com processos: indo à fonte. Antes de propor mudanças, procuro compreender como eles funcionam hoje.
Gosto de conversar com as pessoas, observar o fluxo do trabalho, identificar como as atividades acontecem na prática e compreender porque cada etapa existe.
Muitas vezes descubro que um processo aparentemente ineficiente foi criado para resolver um problema importante em determinado momento. Respeitar essa história é o primeiro passo para construir melhorias que façam sentido — não para mim, mas para o cliente.
Quando trabalho com pessoas
Com as pessoas, sigo a mesma lógica. Quando alguém me procura para conversar sobre carreira ou desenvolvimento profissional, meu primeiro interesse não é oferecer uma solução pronta. Antes disso, procuro compreender.
Algumas perguntas costumam orientar esse processo de escuta:
- Como essa pessoa está vivendo essa situação?
- O que mudou?
- O que já tentou fazer?
- O que funciona hoje?
- O que deixou de funcionar?
- Como ela percebe os outros envolvidos?
Esses questionamentos não têm o objetivo de descobrir quem está certo ou errado. Servem para compreender a lógica que sustenta os comportamentos e ampliar nossa capacidade de construir caminhos mais colaborativos, saudáveis e eficazes.
Perguntas não existem para julgar. Existem para ampliar a compreensão.
O que busco construir
Acredito que o desenvolvimento humano não começa quando alguém recebe um conselho ou uma lista de orientações. Ele começa quando ampliamos nossa compreensão sobre a realidade que vivemos e percebemos, por nós mesmos, a necessidade de mudar.
Meu papel não é dizer às pessoas o que devem fazer. Procuro ajudá-las a enxergar o contexto com mais clareza, fazer perguntas que talvez ainda não tenham sido feitas e construir, junto com elas, caminhos coerentes com sua realidade.
No fim, seja em uma organização, em uma equipe ou na trajetória profissional de uma pessoa, continuo fazendo aquilo que sempre me motivou: compreender antes de agir.
Mudanças verdadeiras não acontecem pela imposição de respostas. Acontecem quando ampliamos nossa compreensão da realidade.